Abaporu: A Monalisa Brasileira

O Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, o MALBA, expõe a coleção permanente de Eduardo Constantini, milionário argentino do mercado financeiro. O museu, amplo,  moderno e espaçoso, tem cara de shopping center, mas exibe com dignidade uma grande coleção de arte latino-americana do início do século XX.

Um dos quadros mais fomosos do MALBA é o Abaporu, da brasileira Tarsila do Amaral. Pintada em 1928, é a tela brasileira mais valorizada do mundo, tendo sido adquirida pelo milionário argentino em 1995 por U$ 1,5 mi.

O que a tela tem de importante para nós, brasileiros, pouco tem para o mundo. Na época, Tarsila, filha de fazendeiros milionários, foi uma das brasileiras que conseguiram ir estudar na Europa para entender um pouco do que se produzia em arte. A Arte nesta época , como conceito que entendemos, era totalmente europeia. Nem mesmo os EUA tinham artistas expressivos porque todo o dinheiro ainda circulava no Velho Mundo. E o que consideramos arte caminha de mãos dadas com dinheiro.

Tarsila teve aulas com cubistas, escola em ascendência na Europa, e tornou-se amiga do pintor francês Fernand Léger, mas não chegou a desenvolver um cubismo propriamente dito. Muito menos algo contemporâneo com a sua época nos questionamentos que faziam sobre a pintura. A pintora estava concentrada na realidade do Brasil.

O trabalho de Tarsila ainda era mais figurativo e menos desmembrativo, como era o modernismo cubista. O cubismo expõe abertas em uma tela plana todas as faces de uma representação. É quase um exercício, uma insistência de tornar plano o que na realidade é tridimensional. Mas Tarsila estava mais interessada em desenvolver como pintura os fatos da realidades do Brasil.

O Abaporu nasceu como uma tela de presente da pintora para o seu marido, o escritor modernista Oswald de Andrade. O que o Apaporu tem de interessante para nós, brasileiros, é que ele representa nossa primeira tentativa de entender o  que se passa no mundo da arte. Uma tentativa de engolir para depois cuspir. É exatamente esse o manifesto antropofágico de Oswald de Andrade: sermos capazes de assimilar algo de fora para em seguida expelir como algo nosso.

Ainda não havia na época, no Brasil, um pensamento sobre arte, sobre conceitos de pintura, sobre caminhos a tomar. Por isso, a tela e toda a obra de Tarsila são muito relevantes para nós, porém pouco para a História da Arte.

Presente no imaginário de muitos brasileiros, até mesmo dos que não estão envolvidos com arte, o Abaporu tem status de Monalisa no MALBA. A tela brasileira fica exposta atrás de uma proteção de vidro para poupar a tinta dos flashes inconvenientes. A foto abaixo foi tirada sem flash, mas conota até para mim o status de marco turístico que o quadro adquiriu.

DSC03867

Mas  ainda mais presente que o Abaporu no meu imaginário é o quadro Operários, também de Tarsila. Ele ilustrava o capítulo de um livro de geografia quando falava da expansão de centros urbanos, sobretudo de São Paulo na década de 30. Como criança, sempre gostei das cores do quadro.E fui crescendo e gostando de tudo o que via da Tarsila do Amaral. O motivo é simples: as telas sempre são divertidas, alegres e lembram cenários de videogame.

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4 Respostas para “Abaporu: A Monalisa Brasileira

  1. o constantino viu uma exposicao da tarsila ai na pinacoteca em 2008. as vezes o abaporu vai pra sp.

  2. não respondeu minha pergunta
    mas foi bom saber!!!

  3. hamilton da silva

    isso ai e para quem não tem nada para fazer

  4. orrivel

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