O Mundo em 2 Dias

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Astrid Y Gastón

O chef peruano Gastón Acurio é o embaixador da cozinha de seu país pelo mundo. Tem restaurantes em todo o continente americano, entre eles o La Mar (cevicheria com filial em São Paulo) e o aclamado Astrid y Gastón (que não tem filial aqui, mas já passou da hora de ter).

Na Cidade do México, o restaurante fica em Polanco, um dos bairros mais elegantes e caros do continente. Mas, nem por isso, os preços são astronômicos. Diferente de São Paulo ou Rio, onde comer num restaurante deste nível não sairia por menos de R$ 150,00 por pessoa, sem bebida alcoólica, no Astrid Y Gastón do México, a conta não ficou em mais de 80 dólares… para dois! Sim, 40 dólares por pessoa. E com um menu que deixou sobrar pra literalmente levarmos pra casa.

A entrada começou com pãezinhos feitos diariamente na casa para provamos com três tipos de molhos. Há pães salgados à base de chocolate e outros também salgados misturados a mel e pistache. Em seguida, um menu de entrada que proporcionava provar um pouco de tudo das gastronomia peruana.

Tinha ceviche, tamales, iguarias que misturavam proteínas (frango com porco ou com peixe e cogumelos e camarões) e vegetais.

O prato principal era um arroz com quinua, polvo, peixe, carne de boi e leitão de 3 meses (politicamente incorreto, mas delicioso e interessante).

A sobremesa foi o melhor: ir com um amigo do chef nos proporcionou a experimentar os sorvetes que estavam lançando para o menu de verão no México. Além de nossa bola de chocolate amargo recheada com sorvete de marzipan, vieram à mesa cinco sabores para degustação: pêra com pimenta, abacaxi (era literalmente a fruta na versão cremosa e gelada), kiwi com manga, tomate (o mais delicioso de todos) e melancia com chocolate branco. Isso, vou repetir: melancia com chocolate branco.

Comida Etíope

Ao viajar para África do Sul, percebe-se o quanto o país recebe influência de outros estados africanos. Isso faz parte da filosofia afirmativa do governo do Congresso Nacional Africano, partido de Mandela e do atual presidente, Jacob Zuma. A influência acontece porque uma das ações afirmativas do CNA foi abrir o país a todos os africanos. Para entrar na África do Sul, você só precisa de sua identidade de qualquer país e africano. Como o país é a economia mais bem desenvolvida da região, apesar de 50% da população estar desempregada e quase metade também ser portadora do HIV, acaba atraindo povos de outras nações do continente.

As condições de vida na África do Sul, de fato, são melhores do que na Nigéria e no Zimbábue, países de onde veem seus principais imigrantes. Os nigerianos tocam o crime de seus quartéis na cidade de Soweto e dominam o tráfico de drogas na Long Street, em Cape Town.

Basta caminhar pela rua que te oferecem droga a todo momento. A Long Street é interessante de dia. Há lojas de produtos africanos, coisas típicas de centro da cidade, bancos, restaurantes e hotéis boutique. À noite, lota de turistas, traficantes e prostitutas tão magras que descaram não estar se cuidando durante a evolução do HIV em seus corpos.

É na mesma Long Street que é possível provar um pedaço do continente africano mais interessante. No restaurante Addis, você entra e, em princípio, não se sente muito à vontade pelo formato das mesas, que não são mais que um grande cesto com bancos de madeira em volta.

O cardápio é simples de escolher, e tem opções de carne, frango, peixe e vegetais, todas temperadas de forma forte, principalmente se citarem como tempero o berbere (uma combinação de pimenta e outras ervas).

As porções são servidas dentro do cesto e chegam à mesa em cumbuquinhas dispostas em cima de um grande pão feito de farinha fermentada com água.

Não demora muito para que a garçonete despeje todo o conteúdo da cumbucas por cima do grande pão. Aí, é só pegar pedaços do pão para catar a comida e levá-la à boca. Não há talheres.

Mergulho com Tubarões

Texto originalmente publicado em Papo de Homem Lifestyle Magazine.

A Cidade do Cabo, na África do Sul, é famosa pela situação geográfica que agrada brasileiros. Tem montanha e tem mar. Lembra o Rio de Janeiro, mas é mais limpa, mais organizada e tem arquitetura, principalmente da parte nova da cidade, de dar banho na carioca.

 Tem também problemas semelhantes ao Rio: favelas na periferia, drogas oferecidas abertamente a turistas, vans que faziam transporte público ilegal e tiveram de ser legalizadas, e trens que atendem todo o perímetro urbano, inclusive chegando às belas Stellenbosch (no interior) ou Fish Hoek (no litoral), mas que devem ser evitados por turistas pelo perigo que podem apresentar – leia-se assalto com direito a atirar pessoas para fora do trem.

As opções de passeios para os arredores incluem famosas vinícolas africanas, uma esticada à ilha onde Nelson Mandela passou 30 nos de sua vida preso, safáris, parques com leões brancos, guepardos, balneários de pinguins, fazendas de avestruz, o cabo onde Vasco da Gama dobrou para vir às Américas (o da Boa Esperança) e um mergulho para focagem de tubarões no habitat onde o grande predador do mar vive e reproduz.

E aí? Vai ligar pra agendar ou tem medinho?
Exemplo de jaula para focagem do predador do mar

Partindo da Cidade do Cabo em direção a Gansbaai, a aventura em busca do tubarão branco começa cedo. Saímos do hotel às 9h e às 11h a equipe do White Sharks Project nos esperava para um brunch. Meia hora pra comer, meia hora pra explicar o que iria acontecer.

Partiríamos para alto mar, próximo à ilha onde os bichos vivem à espera de focas para se alimentar. Quarenta minutos para chegar ao local onde, numa jaula acoplada ao barco, mergulharíamos para ver feroz o predador do topo da cadeira alimentar marinha fazer o que faz desde os tempos pré-históricos: caçar.

Partida da praia de Gansbaai

Tudo funciona de maneira muito simples e a equipe do White Shark Project faz isso duas vezes ao dia: leva turistas até o local, joga sangue e pedaços de atum na água para chamar o bicho e, ao final, atraem o bicho com uma cabeça de atum presa a uma corda para perto da jaula onde mergulhamos. Mesmo assim o clima em alto mar é tenso.

O Sol, que brilhava na praia de Gansbaai, já se escondia atrás das nuvens no mar aberto. O barco sacudia e as instruções para o caso de naufrágio eram ignoradas. Afinal, se virássemos ali, era adeus a este mundo: viraríamos comida de tubarão. O termo de conhecimento dos riscos assinamos no lodge onde tomamos o brunch.

No mar, era só vestir a roupa de mergulho, a máscara, entrar na jaula e esperar o predador vir.

A água devia estar com menos de 10 graus. A adrenalina é tão grande que você entra e nem sente. Até relaxar, leva um tempo. Os primeiros bichos se aproximam. Começa tudo lentamente. Vem um, vem outro… De repente, dois, três ou quatro ao mesmo tempo.

Tubarão na superfício: tensão para entrar e sair da jaula
Pés e mão encolhidos

Ao ver a barbatana, a equipe grita “Go!” e você mergulha a cabeça dentro d’água para ver o bicho se aproximar e tentar agarrar a cabeça de atum.

Eles saltam para fora da superfície, passam debaixo da jaula, debaixo do barco, nas laterais e na frente. Não chegam a atacar a jaula com os seres humanos, até porque a roupa de mergulho, preta, dá uma camuflada aos olhares do bicho. Mas o medo de perder os pés e as mãos é grande.

 

O bicho chega a ter 9 metros de comprimento

Três horas e mais de 50 tubarões depois, voltamos para terra firme para o chá da tarde – a África do Sul mantém esse hábito de um dos seus colonizadores, os ingleses.

Experiência inesquecível, mas que, pelo risco que oferece, apesar de a equipe se orgulhar de nunca ter tido nenhum acidente, não faria de novo.

Provedores da Boa Comida

Antes de ir para a Cidade do Cabo, um amigo dizia:

– Vai subir a Table Mountain? A pé ou de cablecar, compre água e comida lá embaixo, que é mais barato.

Sugestão devidamente ignorada, subi a Table Mountain por volta das 16h30 para ter uma das visões mais bonitas da minha vida. Era verão na Cape Town, e como a cidade está no ponto mais sudoeste do continente africano, há mudanças climáticas mais severas que São Paulo. Num mesmo dia, chove, faz frio, nubla, faz calor, o céu fica azul, o céu fica cinza…

A montanha é tão alta, mas tão alta, que as nuvens que cobrem a cidade, em geral, chegam a engolindo e se posicionam por baixo dela. O resultado acaba sendo o seguinte:

Na face sul da montanha, conhecida como Os 12 Apóstolos pelos 12 cânions que apresenta (só depois quem nomeou viu que eram, na verdade, 17), há um café que, além de um bufê com comida sul-africana maravilhoso, serve tortas, doces e venda quitutes fabricados diretamente na África do Sul.

Do bufê, você combina as saladas com carnes de boi e frango temperadas com sabores de inspiração claramente indiana, coisa típica na África do Sul pela posição do país entre os oceanos Atlântico e Índico. De sobremesa, acompanham o chá, hábito incorporado desde os tempos de colonização britânica, tortas, cookies e, especialmente, muffins – esses, comuns em qualquer birosca sul-africana e clássicos no café-da-manhã. Exija no café do seu hotel. Os muffins são tão comuns que qualquer loja de utensílio de cozinha vende forma para fabricá-los. São as mesmas formas que, nos Estados Unidos, são vendidas para a fabricação de cupcakes.

Ainda no café do alto da montanha, de onde você se serve para comer ao ar livre, há displays com pacotes de petiscos, iguarias e snacks preparados pela Treat Company.

Não são baratos porque não usam conservantes e todos os ingredientes são assados e partem de grãos. Destaque para os inesquecíveis amendoins envolvidos com wasabi e os grãos torrados de café cobertos de chocolate branco. O preço dos produtos talvez seja mais caro por estamos no topo da Table Mountain. Só depois descobri que a Treat tem uma loja no bairro de Mowbray (79 Durban Road, Cape Town), onde os produtos podem ser degustados no local acompanhados de um café.

The Treat Company

The Treat Company

Mapa Gastronômico de São Paulo

Novidades no mapa: sorveteria que serve sabores de pera e mascarpone de limão e ostenta atualmente o título de melhor de São Paulo; sorvete incrível de verdade na pizzaria Vitelloni, que os produz na casa em sabores e cremosidade inesquecíveis; tem carne de sol da cidade de Picuí, na Paraíba, servida na Pompeia; tem restaurante árabe quase debaixo de viaduto em Pinheiros que só te convence depois da primeira garfada na esfirra de zatar, na fatuche ou no quiibe de carneiro; e ainda tem padaria essencialmente portuguesa em Higienópolis com ambiente simples e quitutes que te marcam. Aproveitem!

http://maps.google.com.br/maps/ms?ie=UTF8&hl=pt-BR&msa=0&msid=215836775354098269701.0004789ab3935e35e7a82&ll=-23.494106,-46.645889&spn=0.20529,0.363579&z=12

24 Horas

Nem Nova York, nem Madri, nem São Paulo… As únicas duas cidades do mundo que conheci que realmente são 24h são Cairo e Alexandria.

No Cairo, a loucura das buzinas dos motoristas só ameniza na madrugada. Mas, ainda assim, alardeia forte. No final de 2010, os protestos do povo eram diferentes do que ocorre agora em janeiro. Contra Mubarak, questionavam a lei que tentavam impor às lojas do Cairo fechamento das portas às 20h. O governo cedeu e obrigou estabelecimentos a fecharem às 23h. É claro que a lei não pegou, já que o Egito tem um pouco de Brasil e o povo não respeita nada que é oficial. Conclusão: tudo aberto depois da meia-noite, com multidões nas ruas. E às 5h da manhã as mesquitas já convocam para rezar com auto-falantes instalados nas torres da cidade inteira. Acordei de madrugada achando tudo lindo.

Mesquitas e escolas muçulmanas no centro histórico do Cairo, abertos, naturalmente, até tarde da noite. Tão impressionantes quanto as pirâmides.

A nova Biblioteca de Alexandria

Alexandria, que tem 5 milhões a menos de habitantes que o Cairo – que tem 17 mi – funciona da mesma forma. Açougues, lojas de sapato, quitandas, livrarias, lojas de artigos religiosos muçulmanos… Tudo aberto pra depois da meia-noite. Assim como o Cairo, Alexandria é gigante, pobre e… segura. É só mais limpa que a capital do Egito, mas padece dos mesmos problemas, com exceção de um: o crime banal, comum em qualquer metrópole latino-americana, mas raro nas metrópoles do mundo árabe. A tradição muçulmana, anticrime e antiguerra, tem seu valor.

Na ronda noturna por Alexandria, apesar do frio, deu vontade de um sorvete. Amigos egípcios – com os quais não falo desde o dia 26 de janeiro, quando o governo derrubou a internet no país – perguntaram: “italian style or local style?”. “Local style”, óbvio.

Chegamos cerca das 23h30 numa vendinha de pudim de arroz, ou arroz-doce, como chamamos no Brasil. No pote, ia arroz-doce, passas brancas, castanhas raladas e coco por cima. Pra arrematar, uma bola de sorvete produzido no local. Pedi morango, mas insistiram no de creme. Ficou ótimo, prosaico, quase coisa de cidade do interior.  Adoro arroz-doce, e acho que existe um preconceito aqui no Brasil. É raro vermos qualquer restaurante incrementando a receita. Mesmo nos estabelecimentos mais simples, preferem o pudim-de-leite e as horrendas mousses de chocolate no menu de sobremesas.

Como nós importamos o hype de fora, mudemos agora para uma cidade que não é lá tão 24 horas assim, mas serve de inspiração pra qualquer peido no Brasil: Nova York. Como é uma cidade ocidental grande – do tamanho do Rio de Janeiro, sabia? -, você aproveita melhor o dia do que a noite. E de dia, no SoHo, vale dar uma passadinha na Rice to Riches. Com cara de loja de frozen yogurt por causa das cores batidas, a loja inova por vender calorias em sabores deliciosos: chocolate, nozes, cheesecake e sabores-surpresa do dia.

“Todas as calorias consumidas aqui são suas para você manter”, avisam. Carrego as minhas até hoje.